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A INSERÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NOS CURRÍCULOS ESCOLARES: ANÁLISE INICIAL DO CONTEXTO DE UM PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Daniele Cristina de Souza, Jandira Liria Biscalquini Talamoni, Silvia Regina Quijadas Aro Zuliani, Eliane Aparecida Toledo Pinto, Antonio Fernandes Nascimento Júnior & Leticia do Prado

Desta análise alguns aspectos emergiram para aprofundamentos futuros. Dentre eles, uma compreensão sobre a relação teoria e prática nos processos formativos de professores em EA considerando a realidade concreta, suas demandas e estrutura histórico-social. Percebemos que o contexto institucional influenciou mais o processo do que a proposta teórica inicial, mas que esta última pode contribuir com diretrizes e esclarecimentos para que a EA crítica seja inserida na escola. A educação ambiental crítica permite a formulação de um projeto social e educativo delimitando objetivos e finalidades para as práticas educativas, o que implica influências no seu conteúdo e forma. No campo da EA crítica encontramos discussões sobre a sociedade atual e a necessidade de sua transformação, sintetizada na transformação da relação sociedade e natureza. Assim, precisamos refletir sobre o papel social da escola em relação a este projeto. Mas que escola é essa? Atualmente, podemos afirmar que é uma instituição conformada por uma política curricular burocrática e prescritiva, no qual os professores encontram-se em conflito em relação as suas competências profissionais, numa indefinição do papel a ser desempenhado: reproduzir ou não o currículo trazido pelos cadernos? Esta questão não é somente de cunho prático, mas de decidir a partir de argumentos claros e compartilhados se irão responder positivamente ou não a uma exigência administrativa, se irão organizar sua prática de acordo com prescrições ou construirão um trabalho coerente com suas convicções, sabendo das implicações deste posicionamento político em relação a sua profissão, à escola e à sociedade. Neste contexto, entendemos que cabe aos processos formativos viabilizarem espaços para a problematização sobre estas relações e auxiliarem na compreensão das concepções de base (pedagógicas, políticas, ideológicas, etc.) que sustentam as propostas educativas oficiais e mesmo as concepções da própria prática do professor, isto localizado em relação a um projeto social mais amplo. Neste cenário, outros aspectos que merecem aprofundamentos são: a) a discussão sobre os processos formativos serem capazes de contribuir para conquista da autonomia docente, entendida como inserção social crítica; b) a compreensão do fenômeno que se constitui no polêmico debate sobre proletarização do professor no estado de São Paulo; c) a análise da política estadual de formação de professores e os espaços para a formação em EA; d) a análise de políticas da universidade pública para a formação inicial e continuada em EA (no caso a UNESP); e) os desafios que o currículo escolar impõe para a inserção da EA crítica na escola pública; f) a forma com que os professores compreendem a EA e a sua prática na escola. Indica-se, principalmente, a necessidade de um esforço contínuo para que a inserção da EA no escola seja compreendida como proposta política e pedagógica e que fomente ações que contribuam para superar a atual organização social depredatória.

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